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Livros

Qorpo-Santo diabos e fúrias
(Editora Artes e Ofícios, 2016)
 

No dia 26 de agosto de 1966 foram encenadas três peças de Qorpo-Santo em Porto Alegre.
A histórica noite marcou a redescoberta do dramaturgo gaúcho, 100 anos depois que ele escreveu tais textos.
Qorpo-Santo, diabos e fúrias é um romance escrito com base naquela referida noite e com base na vida e na obra de Qorpo-Santo.
O livro faz um link com as manifestações de 2013 e apresenta uma estrutura diferenciada, com depoimentos de gente das letras e dos palcos, incluindo-se aí dois protagonistas da histórica noite: o diretor e o compositor da música de cena. 

Trecho:
 
Rajadas de vento começam a ser ouvidas do lado de fora do auditório Armando Albuquerque. Em mau estado, o prédio dá a nítida impressão de vacilar em suas estruturas, em especial no telhado.
Olívia: Gente!
Melissa: Pelo menos ainda não faltou luz.
Olívia: Será que o vento vai arrancar as telhas?
Enrique: Esse é o país da Copa. Estádio bonito e novinho tem. Já teatro que é bom...
Dick Silva no mundo intermediário
(Editora Pulo do Gato, 2016)
 

Um jovem acorda na Sala de Interrogatórios do Departamento de Capturas do 10ª Distrito. Não sabe como nem por que está ali. A cabeça parece explodir de tanta dor.

Descobre, consternado, que tudo o que vê está em preto e branco, como nos filmes antigos. Teria voltado no tempo? Para piorar a situação, um policial mal-humorado sentencia: "Você morreu, garoto".

Assim começa a jornada de Dick Silva em um ambiente inusitado, cheio de personagens improváveis e, por vezes, letais. 

 
Trecho:
 
O menino ajeitou-se na cadeira. Por alguma razão, começou a temer. E a tremer. Mãos e joelhos, em suave e angustiante tiritar. Sua intuição lhe sussurrou para se preparar.
- Vou ser direto garoto. Talvez não seja a melhor maneira, mas, veja, olhe essa pilha de documentos, relatórios, reclamações, solicitações, pedidos de transferência, processos... Estou atolado na papelada.
- Tudo bem...
Suspirou e falou com voz precisa:
- Você morreu, garoto.
Jubarte
(Editora do Brasil, 2016)
 
Um ato violento e um muro pichado. Vizinhos comentam, desconhecidos cochicham, todos julgam e sentenciam. Refugiado na casa da tia, Rafael descreve seus dias. Além das visitas dos pais, existe Bel, que enxerga através dos muros e jardins que formam o labirinto em que ele se encontra agora. Uma história cheia de mistérios e reviravoltas é o que espera o leitor neste livro carregado de suspense, segredos e revelações surpreendentes.
 
Trecho:
 
Fulano assassino!
Foi escrito no muro da nossa casa.
Devem ter pichado durante a madrugada, quando eu e meus pais estávamos dormindo. Luque, o nosso vira-lata, não viu nem ouviu nada. Devia estar sonhando profundamente, caso contrário teria acordado a vizinhança. Ele é pequeno, mas goeludo.
Fulano assassino!
Camisa 10 em perigo
(Garamond, 2015)
 
Ninguém em Guapuruvu do Sul tem dúvida de que Ferdinando Lima se tornará um astro do futebol. Porém, na saída da escola, ele sofre um atentado a tiros. Por sorte sai ileso. A partir daí um grande mistério precisa ser resolvido. Quem tentou matá-lo? Por quê? O jovem atacante esconde algo? Neste livro ainda vamos conhecer Marco Antônio, autor de um blog que fará um passeio pela história da Olimpíada; Laura Regina, a melhor amiga dele e que pretende ser mais do que apenas “amiga”; Kátia Cristina, a musa de Marco Antônio e excepcional nadadora; delegado Amâncio, um homem meio esquisito mas muito perspicaz; e o jornalista Juliano Kaiser, disposto a de svendar a verdade a qualquer custo. No final, muitas reviravoltas em uma narrativa medalha de ouro.
 
Trecho:
 
No primeiro momento ninguém em frente à Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Padre Réus entendeu que aqueles estouros eram tiros. Escapamento de um carro velho, bombinhas, não faltou até quem pensasse em marteladas na obra em frente. Estavam todos enganados. Foram disparos. E os projéteis tinham endereço certo: Ferdinando Lima, 15 anos, o astro do time do colégio. Ele, aliás, foi o único a perceber a aproximação em baixa velocidade do sedã escuro. Colegas, pais e professores deixavam as dependências da escola despreocupados como sempre fora despreocupada a vida em Guapuruvu do Sul.

O telephone
(Gaivota, 2014)

Histórias paralelas se desenrolam simultaneamente, mas em tempos diferentes. Como isso é possível? Quando Vitor Hugo recebe de seus pais um presente inusitado, um telefone preto, bem antigo, coisas estranhas começam a acontecer.Ligações misteriosas são recebidas e o garoto descobrirá detalhes de um passado inimaginável e que trouxe reflexos inclusive para o seu presente.

Trecho:
Uma a uma, Vitor Hugo enfia as balas no tambor do revólver calibre 38, cano de quatro polegadas. São seis projéteis no total. Frios e pesados ao toque. Corpos magros e dourados terminando em chumbo abaulado nas pontas. Pensa: onde está Amanayara? Ele tem 16 anos e consegue perceber com muita nitidez o poder ali concentrado. São balas para matar um homem.

 

Zona de sombra
(Artes e Ofícios, 2014)

Tamara corre para salvar sua vida. Simples assim. O que era para ser uma noite agradável se transforma em pesadelo quando ela presencia algo inusitado na entrada de um concerto de rock. Na fuga a jovem se esconde em prédio de aspecto sombrio. Os dois primeiros pisos são habitados. Os dois últimos não. E a partir do momento em que ela entra no edifício, começa um jogo de gato e rato. Por trás de cada porta se escondem diversas possibilidades que vão do divertido ao assustador, do improvável ao fatal. Em Zona de sombra o ritmo é frenético e o desfecho da aventura se desdobra em muitos finais diferentes.

Trecho:
Tamara corre.
Ouve novos estouros parecidos com o estalar de pipocas de micro-ondas. Mas ela agora sabe que não é nada tão delicioso ou ingênuo. Sim, são tiros. Ela se volta com rapidez e os vê. Vestem uniformes marrons e, de fato, estão armados.
Tamara corre.

Longe, tão perto
(Ed. Zit, 2014)

Neste livro o personagem central ainda não nasceu. Curiosamente é ele quem conta como os pais se conheceram depois de tantos desencontros.

Trecho:
Primeiro vamos deixar as coisas bem claras: eu não nasci ainda.
Sério, acreditem.
Mesmo assim, posso contar o que aconteceu antes da minha chegada ao mundo. Como?
Calma, depois eu explico.
Vamos por partes, tá bom?

Safári
(Ed. Rocco, 2014)

Uma série de crimes atinge a Vila da Fumaça. Pessoas estão morrendo como animais abatidos num safári. São tiros de longa distância com arma precisa e de grosso calibre. O assassino? Esse é também um animal, mas animal terrestre e com os pés no chão.

Trecho:

No instante seguinte está aterrisando no chão, um metro adiante.
Morto.
O peito tem o furo do tamanho da moeda de dez centavos que lhe escapa do bolso após o impacto.
Nas costas, o buraco de saída da bala é irregular, mas capaz de abrigar uma bola de tênis.

Na companhia de Ágata
(Artes e Ofícios, 2014)

Cláudio assistia a um filme de zumbis quando Ágata bate na porta. A moça está atrás do antigo morador do apartamento e quer encontrá-lo a qualquer custo. A partir daí Cláudio resolve fazer companhia para Ágata. Ele só não desconfia que ao tentar ajudá-la ficará frente a frente com caras ferozes e rápidos no gatilho. Os dois precisarão de muita agilidade para escapar das balas e das perseguições. No final desta novela policial, os leitores vão encontrar um depoimento do autor, no qual ele revela todos os detalhes da confecção do texto, igual aos extras que vêm nos DVDs.

Trecho:

Foi assim:

Cláudio ouviu batidas na porta. Três em intensidade crescente.

Apertou a tecla Pause. Um dos zumbis do filme alugado congelou com cara satisfeita. Dos cantos da boca do morto-vivo podia-se ver consideráveis lascas do crânio da mocinha loira que há bem pouco havia se escondido no interior do closet da mansão vitoriana nos pântanos da Louisiana. Má ideia.

Mais batidas na porta. Outras três, estas mais uniformes. Altas.

O menino conferiu o relógio no aparelho de dvd. Marcava 15h42min. Quem poderia ser àquela hora? Levantou do sofá da sala do apartamento e foi ver.

Espiou pelo olho mágico e viu a mulher de mochila. Mulher não. Uma guria. Calculou em 16 anos a idade dela. Cabelos escuros, presos, deixando a mostra orelhas salientes. Olhos castanhos, claros. Se tivesse de defini-la de modo rápido não saberia se marcava na opção Bonita ou na alternativa Feia. Mas a expressão severa era bem nítida.

Meia dúzia de tiros e um pandeiro vacilante
(WS Editor, 2014)

A missão de Inácio é simples: levar todos os dias a marmita para o pai, que trabalha no presídio. Só que no meio do caminho algo chama sua atenção. É o samba de roda no boteco do seu Ludovico. Dividido entre os afazeres cotidianos e a música contagiante, o menino também precisa lidar com a falta da mãe, com a dureza da avó e, pior de tudo, com uma turma de bandidos.

Trecho:

Paro.

Preciso entrar à esquerda agora, e ir direto ao serviço do meu pai. Mas ouço algo vindo da minha direita. Espicho o pescoço, tento apurar minha audição. “Será que já começou?”, pergunto a mim mesmo em voz alta. Melhor, chegar mais perto, um passo, dois passos, sim, já consigo ouvir o som do violão, do cavaquinho, do pandeiro e se eu prestar bem atenção posso até mesmo ouvir alguém tirando ritmo de uma caixa de fósforos, tum-que-ti-tum-que-ti-tum.

“Não te mete na Rua do Folguedo!”

É o que minha avó sempre repete.

Final de linha
(Scipione, 2013)

Dois jovens se encaram dentro de um trem. Cada um deles possui problemas graves a resolver, mesmo assim Guilherme e William encontram brechas em seus pensamentos para cultivar uma antipatia mútua baseada em seus próprios preconceitos. As consequências do encontro poderão ser devastadoras.

Trecho:
As paredes internas do vagão são bege ou amarelo-pálido. Alguém que fumava na plataforma trouxe consigo cheiro e resquícios de fumaça. ATENÇÃO! NÃO FUME. São 17h05, horário brasileiro de verão. É quinta-feira. Junto da janela um jovem lança olhares investigativos em direção ao rapaz voltado para ele, sentado mais adiante. Seu nome é Guilherme. Tenta decifrar o outro, que se chama William. Estão sentados em diagonal, em diferentes fileiras de bancos.

 

 

Labirinto no escuro
(Positivo, 2013)

O jovem Nicolas acorda e se descobre deitado e amarrado. Não sabe onde está. É um quarto. O branco domina o ambiente. Pessoas que nunca viu aparecem e começam a conversar com ele. Aos poucos ele vai tomando contato com a realidade. O pior é a saudade da família. Com o passar dos dias as certezas de Nicolas começam a ruir.

Trecho
Fica em alerta.
Apesar da ansiedade, Nicolas se mantém calado, a respiração paralisada.
O vulto se aproxima. Ainda indistinto.
Pisca várias vezes. Aí ouve:
- Acordado, eu presumo.
A voz é agradável.
- Sou o doutor Pontes. Bem-vindo ao Instituto.

Por trás das chamas
(Editora do Brasil, 2013)

É verão no litoral gaúcho. Verônica conhece Diego, apaixona-se, descobre um mundo novo, experimenta sensações novas. Vê e vive coisas boas. Vê e vive coisas ruins. Para além da fogueira do luau na praia, por trás das chamas, Verônica sorri, chora, cresce e sonha.

Trecho
Verônica sente o mesmo friozinho de antes molhar as paredes do seu estômago, sua idiota, ela se xinga lá no fundo do seu pensamento, o friozinho se espalha, mas não a impede de dizer, não, não, tu tá indo bem se a tua ideia é essa mesma, ou será que tu tá só a fim de curtir com a minha cara? A tua cara eu já curti, Diego rebate e acrescenta que curtiu todo o resto também. Ela ri, sacode os ombros, lá vem as covinhas nas bochechas, tu é sempre assim? Ele força um rosto sério. Só quando tenho um bom motivo.

Eros e Psique - uma história de amor
(Mundo Mirim, 2013)

Este reconto, do clássico mito grego, convida o leitor a refletir sobre a importância do enfrentamento das dificuldades, o poder destruidor da inveja e a força do verdadeiro amor.

Trecho:
Pã, o velho sábio, estava sentado tranquilamente numa ribanceira. A menina ao seu lado lançava pedrinhas no córrego, fazendo-as quicar na superfície da água. Ela parecia aborrecida en quanto esperava por seus pais.
- Por que não me conta uma história? - ela perguntou.
- De que tipo? - o homem sorriu.
- Uma que faça o tempo passar mais rápido.
Ele riu.
- Sou velho, conheço várias histórias. Que tal uma de amor?

Gritos na noite
(Mundo Mirim, 2013)

Este volume da coleção Cara e Coroa é mais uma empolgante obra que apresenta duas histórias: uma clássica e uma contemporânea, as quais vão surpreender o leitor. Na primeira, temos a certidão de nascimento dos contos policiais em "Os assassinatos da rua Morgue", de autoria do norte-americano Edgar Allan Poe, considerado o precursor do gênero. Já em "Gritos na noite", Luís Dill faz uma releitura do conto clássico, onde na primeira parte temos quase que uma paródia, e na segunda parte uma continuação da história relatada sessenta anos depois. Em ambas, o leitor envolve-se em textos que os tornam cúmplices das investigações.

Trecho:
Encontrei a morte pela primeira vez no verão de 1953. Eu tinha 15 anos na época e creio ser impossível para qualquer pessoa esquecer tal experiência, sobretudo levando-se em conta a macabra circunstância de minha reunião com ela.

Destino sombrio
(Seguinte, 2013)

Passado, presente e futuro estão eternamente atados pelos laços da consequência. Um romance frustrado, uma viagem repleta de agonia, um encontro revelador. Em Destino sombrio Gildo se defronta com com seus fantasmas enquanto o suspense aumenta até o final surpreendente.

Trecho:
O motor de um carro atrai a atenção dos dois. É uma Blazer da Polícia Rodoviária Federal. O azul-escuro e as faixas laterais amarelas brilham ao sol. Estaciona bem na frente da porta de entrada. Gildo congela.
- Fez alguma coisa errada - ela pergunta ante a óbvia reação dele.
- Eu? - diz afoito.

Decifrando Ângelo
(Ed. Scipione, 2012)

Uma tragédia ocorre no interior de uma escola. O ato violento provoca perplexidade em todos. Para tentar entender o que se passou, um aluno usa sua câmera de vídeo e produz o documentário do título.

Trecho:
Na hora a grande maioria não entendeu o significado do estouro. Alguns risinhos foram ouvidos, desenhados pelo susto. O silêncio posterior deixou o ar cheio de uma áspera expectativa. No minuto seguinte o grito agudo da funcionária pôs fim à inocência. Todos se assustaram. E ninguém mais esqueceu o som.
Enquanto você não chega
(Editora do Brasil, 2012)

A chegada de um novo bebê é especial e cheia de expectativa. É nesse cenário que um menino espera pelo irmão e arranja um jeito diferente de apresentar a família ao novo integrante. No 34º livro de Luís Dill sensibilidade e criatividade ganham vida através das ilustrações de Flávio Fargas.

Trecho:
A família toda na maior ansiedade.
A barriga da minha mãe daquele tamanhão.
Bom, o mais correto é dizer da nossa mãe.
É, você vai ser meu irmão.
E você vai chegar a qualquer minuto.
Sem mais nem menos
(Ed. Ática, 2012)

A pequena Luísa pede que Mauro lhe conte uma hitória. Tem de ser inédita e não pode ter fada. E agora? Como é que ele vai fazer para agradar a filha de sua namorada? É aí que entram em cena figuras como Mário Quintana e Carmem Miranda, entre outras personagens famosas.

Trecho:

- Sabe contar história? - ela deu novo passo dentro da escuridão que parecia envolvê-los.
Mauro esperou explicação para a pergunta. Nada. Só os grandes olhos castanhos sobre ele. A menina também tinha cílios compridos.
- Acho que sim, quer dizer, sei lá. - Aquilo o atrapalhou. "Contar uma história? Será que ouvi direito? Aonde ela quer chegar?"
- Conta, então.
A dor mais afiada
(Ed. 8Inverso, 2012)

Neste romance em mil capítulos, o mecânico Douglas comete um crime e foge. Na sua escapada tentará se compreender e encontrar o amor verdadeiro.

Trecho:
Capítulo um:
Correr para algum lugar pode ser a pior coisa do mundo.
E chegar nem sempre é uma maravilha.

Capítulo dois:
Achei melhor fazer como já tinha visto nos filmes da TV.
Por isso saí e comprei as luvas de borracha. Estavam em promoção.
O estalo
(Editora Positivo, 2010)

Um prédio em construção desaba e dois jovens ficam soterrados. Ninguém sabe onde eles estão. Enquanto aguardam socorro vão se conhecendo melhor em conversa às vezes tensa e reveladora.

Trecho:

- Por que eles iriam nos procurar logo aqui?
- Bom... eles... podem...
- Não, Rui, eles não podem não. Eles não têm como saber que a gente tá aqui.
- Pois é, mas...
- Nem eles nem ninguém, Rui.
- Calma, Júlia. Chorar não vai melhorar as coisas pra nós. A gente precisa manter a calma.
- Ninguém sabe... que a gente.... tá... aqui...
 
Estações da poesia
(Editora Positivo, 2010) Vencedor do Prêmio AGEs 2011.

Nesta pequena coleção de textos, as estações do ano são homenageadas com uma boa dose de sensibilidade, humor e beleza. Tudo na brevidade e na precisão de um quase haicai, tipo de poema japonês que geralmente trata da natureza e das estações do ano, como é a intenção deste livro.

Trecho:

No verão
o guarda-sol, as vezes,
aguarda chuva

Plátanos sem folhas
semeiam fogueiras
pelo chão

Corra, Bernardo, corra!
(Editora Positivo, 2010)

Bernardo precisa sair do prédio onde mora o mais rápido possível, mas o elevador não funciona e então ele precisa descer as escadas. Como o garoto conhece quase todo mundo no prédio, os moradores vão atrasando a sua fuga. No final uma grande surpresa.

Trecho:
Bernardo achou melhor sair do apartamento.
Estava sozinho: o pai no trabalho, a mãe no trabalho, a irmã do meio no colégio, o irmão mais velho na faculdade, a avó não sabia onde. Bernardo não tinha medo de ficar sozinho, mas, mesmo assim, achou melhor sair.

A truta
(Editora Paulinas, 2010)

Um menino, num esconderijo improvável, enfrenta seus medos para espionar o pai. O homem é sério e também misterioso. O que ele faz todos os domingos na garagem? Disposto a descobrir qual é, afinal de contas, aquele grande segedo, o menino vai dar de cara com enorme surpresa. E com um peixe.

Trecho:
Ligo a lanterna pra olhar o relógio: quase na hora. Meu pai desce pra garagem todos os domingos depois da janta. Avisa que não quer gritaria e se tranca. Meu irmão mais velho e minha irmã menor obedecem, vão assistir à televisão bem baixinho ou fazer qualquer outra coisa que não provoque muito barulho. Acho que eu sepre fui o mais curioso da casa.

Arca de haicais
(Artes e Ofícios, 2010)

Com ilustrações de Martina Schreiner, o livro apresenta haicais dedicados a alguns animais. Existem rimas, histórias engraças e surpreendentes além de muita cor.

Trecho:

O gato jura
que até na lua
se dependura


A zebra chama
código de barras
de pijama

Um capitão de 15 anos
(Escala Educacional, 2010)

Em "Um capitão de 15 anos" Júlio Verne conta a história de Dick Sand, um jovem que recebe a difícil tarefa de comandar um navio. Nesta adaptação de Luís Dill, ilustrada por Rogério Borges, há também informações sobre a obra, seus contornos, o autor e sua época.


Trecho:
Gravemente feridos, os homens ainda se agarravam aos destroços no instante em que a jubarte, em sua fúria, voltou a atacá-los, batendo a cauda no ponto em que estavam. Uma tormenta líquida se projetou em jorro para todos os lados. E então, silêncio.

A lenda do tesouro farroupilha
(Editora Ática, 2010)

Verão em Porto Alegre. Arachane, Breno e Américo se encontram no Museu Júlio de Castilhos para decidir o que fazer em suas férias. Eles acabam se deparando com uma carta com 8 enigmas. A solução do mistério pode levá-los a um tesouro fabuloso.

Trecho:
Dividiu-se com o filho na tarefa de seguir os envolvidos. Por celular pediu que Günter ficasse de olho nos três jovens sentados na Praça da Matriz. Ele cuidaria da mulher de vestido vermelho, filha de um velho conhecido.

Para que não fossem percebidos, trocaram de alvo depois de um tempo. Günter ficou de plantão na frente do hotel onde a mulher havia entrado. Peter seguiu discretamente os três. Como eles se separaram resolveu seguir a menina. Ela havia apanhado algo que a mulher jogara fora dentro do Museu. Ele não sabia o que era, mas preferiu confiar em seus instintos e seguir a loirinha.
 

O último Lanceiro negro e o zepelim
(Editora Salesiana, 2010)

Rio Grande do Sul, 1917. Avelino é um guri que quer muito participar da Primeira Guerra Mundial. Enquanto não acha meios de se deslocar para a Europa – palco do conflito – ele se depara com ladrões de gado que assombram as fazendas. O principal suspeito é Ottmar, um alemão que sonha em construir uma máquina voadora em pleno pampa. Além disso, Avelino ouve as histórias de Cypriano, ex-escravo que testemunhou muitos fatos marcantes da história gaúcha e que participará de um duelo mortal.

Trecho:
Os cavalos não gostam muito da ideia, mas obedecem. As vísceras seguem brilhosas sob o sol, centro das atenções do mosquedo. O cheiro precipita-se pela atmosfera fornecendo até a impressão de que ali, na área onde o gado foi abatido e carneado, faz mais calor, um calor viscoso que insiste em se prender à roupa e à pele dos vivos.
– Ordinários – Avelino revolta-se ante o espetáculo.
– Coitados – Alzira ajunta.
As cabeças, sobretudo os olhos dos bois, ainda guardam a vivacidade do medo experimentado antes de sentirem as lâminas frias penetrarem seus corpos.

Do coração de Telmah
(Artes e Ofícios, 2010)

Essa história escrita em 500 tweets conta a dúvida da jovem Telmah. Como Hamlet, a morte do pai a persegue e a faz pensar em vingança. Também como o célebre personagem shakespeareano, ela encontrará tragédia e dor.

Trecho:
142
De novo o termômetro gelado na minha axila. Vamos esperar uns minutinhos. A voz me chega áspera de preocupação.

143
É... baixou um pouquinho... Não há satisfação na voz. Não esquenta, digo, não deve ser nada importante. Febre sempre é, ouço.

144
A natureza da minha febre é a vingança. Deve ser isso no fim das contas. Ou será um delírio de amor? Ou a aparição de um fantasma?

Cartas do fim do mundo
(Terracota, 2009)

Nesta coletânea de contos, vários autores dão suas versões para o fim do mundo.

Trecho:
Londres, 31 de julho de 2013.
Se alguém estiver lendo isto, estou morto.
Mas já chego lá.
Primeiro vamos aos porquês.
Ao início.

O dia em que Luca não voltou
(Cia das Letras, 2009)

Luca desaparece sem deixar vestígios. Para pais e amigos, as primeiras horas após o sumiço do menino são desesperadoras. Logo, todos vão se dar conta que suas vidas foram profundamente modificadas a partir do dia em que Luca não voltou.

Trecho:
O delegado de terno, gravata e bigode grosso continuou fazendo perguntas, milhões de perguntas, de vez em quando puxava seu bloco de notas, anotava algo que lhe diziam, voltava a guardar o bloco no bolso do paletó e seguia conversando, depois andava pelas ruas do condomínio, conversava com empregados, com os vizinhos, com os filhos dos vizinhos, com os amigos dos filhos dos vizinhos, olhava atrás dos arbustos, no bosque, percorreu o enorme muro que cercava o condomínio, em busca de um buraco ou de qualquer vestígio, caminhava pelo campo de golfe, entrava nas lojas do minishopping, no clube, não houve ninguém com quem ele não tenha conversado, chegou até a paralisar a construção da casa atrás do laguinho, pediu para falar com o arquiteto, com o engenheiro, com o empreiteiro, com o proprietário, e com todos os pedreiros, checava as câmeras de vídeo da portaria, voltava a falar com as pessoas com quem já tinha conversado, verificava suas anotações no bloquinho, às vezes vinha com um ou dois ajudantes, fazia dezenas de ligações no seu celular, recebia outras dezenas, sempre com uma cara muito séria, de quem não estava chegando a lugar nenhum, e minha mãe na cozinha, até mais magra, resmungando, ai, meu santo Antônio, será possível?

Beijo mortal
(Dulcinéia, 2009)

Três jovens armados em busca de vingança.
Um jovem à procura da verdade.
Várias vítimas

Trecho:
Enfia a primeira bala no tambor do 38 e sorri. A penugem escura na promessa de bigode se move com graça quase infantil. Os traços suaves do rosto desmentem o olhar contaminado por raiva bandida. Guilherme, 14 anos, corpo esguio, usa a camiseta reserva da seleção brasileira de futebol. Gosta de azul-escuro. Bermuda e tênis de skatista. Sopesa a segunda bala: encanta-se com o dourado da cápsula e a ponta escura do projétil. Ruídos de diálogos e risadas chegam da sala. Os pais, ancorados à frente da tevê, bebericam cerveja, divertem-se diante de algum programa humorístico. No quarto, o menino beija a bala. Imagina-a deixando o cano do revólver a grande velocidade, corrida sem obstáculos até encontrar e perfurar roupas, pele, músculos, órgãos, ossos. Amanhã tem velório na comunidade, especula com satisfação.

De carona, com nitro
(Artes e Ofícios, 2009)

O livro apresenta diversos personagens que se encontram em momento trágico: um acidente de trânsito. Os que não participam diretamente do fato serão profundamente afetados. O texto não pretende encontrar soluções ou dar respostas. Não julga. Não condena. Não dá lição de moral. Apenas oferece a possibilidade de reflexão.

Trecho:
Tragédia foi a palavra mais utilizada pelos meios de comunicação. Traduzia bem o ocorrido no cruzamento das duas avenidas na manhã do primeiro domingo de outubro. Um dos jornais da capital, na edição da segunda-feira, apostou na ousadia: usou todo o limite da capa para estampar a foto do acidente sob a manchete de tão-somente oito letras. Nada mais havia para ser explicado. As cores da imagem mostravam óleo e sangue misturados sobre o asfalto. Em segundo plano, sem foco, destroços dos carros envolvidos e pés por baixo de plásticos brancos.
 

Pedras

Ouvindo pedras
(Escala Educacional, 2008)

O livro faz parte da coleção Diários Descobertos. Neste volume o autor utilizou informações verídicas para construir diário ficcional do artista Aleijadinho.

Trecho:

Em certos momentos, escondido dos olhares de meu pai e até de minha mãe, uso pontas chamuscadas de gravetos para gravar o que imagino em aparas de madeira. São peças que tomo o cuidado de ocultar. Esta linhas rabiscadas à pena em folhas roubadas das oficinas também recebem um pouco das coisas que vão pela minha cabeça, uma espécie de amigo sem corpo e sem fala, mas muito atento e prestativo.

Todos contra Dante
(Cia. das Letras, 2008)

Dante é novo na escola. Vem de um bairro mais pobre e gosta de ler A divina comédia, de Dante Alighieri. Logo sua aparência e sua classe social viram combustível para o riso dos colegas. A perseguição se torna sistemática e ganha força no ciberespaço, onde o jovem é ridicularizado e hostilizado. Com linguagem ágil e arquitetura ficcional inovadora, Luís Dill constrói cuidadosa reflexão sobre nossa sociedade atual. E nesse cenário a violência espreita.

Crítica do escritor Ernani Ssó no site Coletiva.net:

Todos contra Dante

Assim se chama uma pequena novela do Luís Dill, lançada há pouco pela Cia. das Letras. Foi inspirada num fato real: uma implicância besta que acaba em tragédia, numa escola. Achei o fino, mas gostei especialmente dos diálogos: naturais, verossímeis. Isso, num país ruim de ouvido como o Brasil, onde os personagens não falam, discursam, não é pouco, não. Dill, como um punhado de outros aventureiros — Luiz Vilela, Marçal Aquino, Sérgio Rodrigues, Sérgio Fantini e Marcelo Carneiro da Cunha, por exemplo —, está em campo pra não deixar o Nelson Rodrigues e o Dalton Trevisan na mão. Todos contra Dante, ao contrário de muitos livros infanto-juvenis, não tem contra-indicação para adultos.

Trecho:

Graziela na frente de Davi. Encara-o de modo muito intenso, quase policial. Estão no corredor do colégio.
– O James nega, nega, nega. Eu queria ouvir o que tu tem pra me dizer sobre esse negócio.
– Cada um fala o que quer, Grazi.
– É verdade. E o que tão falando não é nada bom.
– E?
– Davi, Davi...
– Não sei por que tu quer falar tanto desse lance. Tu tá parecendo a coordenadora.
– Davi é sério. O guri tá no hospital.
– Não sei de nada, Grazi. Que saco!
– Ninguém sabe. Tu não sabe, o James não sabe, o Cauã não sabe.
– E por que a gente deveria saber?
– Dizem que até a Manoela ajudou a bater no tal do Dante.

Atalhos [cenas brasileiras]
(WS Editor, 2008)

Este não é um livro realista! A realidade é mais brutal do que a ficção. As 20 histórias curtas, extraídas da imprensa, recebem o tratamento humanista que só os bons escritores conseguem dar, provocando a reflexão sem perder o prazer de ler e a esperança na humanidade.

Trecho:

É o seguinte, pessoal, gritei. Assalto! Todo mundo quietinho! Aí curti o medo na cara das pessoas. Olhavam pra mim e pro revólver. Mais pro revólver, eu acho. Tirei a touca e passei pra gorda da primeira fila, uma negona que ocupava dois assentos. Aí, bota tudo o que tu tem dentro da minha touca, depois vai passando, um por um, faz de conta que tu tá na igreja.

Sonho real
(Editora Salesiana, 2008)

Um menino de rua sonha em mudar de vida. Depois de misterioso encontro, ele se vê completamente transformado. O menino pensa que sua vida mudou para melhor, mas está enganado. Muitas aventuras e decepções o aguardam, assim como nova e surpreendente amizade.

Trecho:

Estava sozinho. Não conhecia o pai. Não sabia da mãe. Das irmãs e dos irmãos, nenhuma notícia. Morava no centro de Porto Alegre. Na rua. Vivia de esmolas, de caridade, vivia de qualquer jeito. Até onde se lembrava tinha 10 anos de idade.

Tocata e fuga
(Bertrand Brasil, 2007)

Vencedor do Prêmio Açorianos

Trecho

A viatura desliza mansa, fura a onda invisível de calor que insiste sobre o asfalto.

- Matou?

Jornal do Turfe nas mãos, não responde ao motorista, mas a pergunta o lembra de algo. Saca o revólver, libera o tambor, retira três cápsulas deflagradas e as joga pela janela.

- E aí?

- Matei, matei.

- Claro.

Remunicia o 38.

Olhos vendados
(DCL, 2007)

 

Finalista do Prêmio Açorianos

 

Trecho

Ela está viva.

Dou-lhe minha palavra de honra.

E tenho certeza de que a guria está viva porque estou olhando para ela enquanto escrevo estas linhas, prezado radialista. Embora esteja amordaçada, de olhos vendados e amarrada à cama, garanto, por tudo o que há de mais sagrado neste ou em qualquer outro mundo, que goza de boa saúde.

Claro, não sou médico nem psiquiatra. Mas tenho alguma experiência com pessoas e com relacionamentos, daí porque comunicar que ela está em ordem não é uma afirmação leviana, demagógica ou sem fundamento. Muito menos falsa.

É necessário alertá-lo para dois fatos:

1) isto NÃO é uma brincadeira e

2) também NÃO se trata de seqüestro.

O clube da cova
(Editora Salesiana, 2007)

Trecho:

Quatro tiros explodiram na atmosfera silenciosa e refrigerada da agência bancária. Potentes e assustadores como trovões anunciando o fim do mundo.

- Ninguém se mexe! É um assalto! - berrou o homem alto todo de preto, exceto pela meia de náilon cor champanhe que lhe desfigurava o rosto. Também escapava ao preto o brilho do aço da pistola calibre 45.

Dinamite ao meio-dia
(Escala Educacional, 2007)

Trecho:

Puxou o cinto de segurança. Segurou o volante com a mão esquerda. Lamentou mais uma vez estar sem gravata.

Girou a chave para a direita.

No mesmo instante, no hall de entrada do condomínio, a poucos metros do carro, seu Lauro teve o bocejo interrompido.

No interior do veículo não houve ruído ou dor. Apenas o inferno branco.

No interior do prédio, barulho medonho de enlouquecer, vidros estilhaçados e muita dor.

O Monza do delegado César explodiu.

Uma nuvem brilhante expandiu-se dentro do automóvel e saiu com fúria rompendo o pára-brisa e a capota. Elevou-se rápida já escura, camuflando-se na noite.

Castelo de Areia
(Artes e Ofícios, 2006)

Um menino enfrenta seus temores na beira da praia. Será que os caranguejos eram tão terríveis assim? Enquanto a dúvida o domina, ele usa areia e água para finalizar sua construição.

Trecho

"Eu tinha medo da praia.
Na verdade era medo da areia.
Bom, para ser bem sincero mesmo eu tinha medo era do que estava embaixo da areia.
- Os caranguejos são inofensivos - meu pai dizia.
Eu não sabia direito o que "inofensivo" queria dizer.
- Os caranguejos não vão te pegar, filho - explicava minha mãe.
Eu desconfiava um pouco do que eles me diziam. Aqueles bichos de patas amarelas, garras horríveis e dois olhos pretos assustadores me enchiam de pavor. Sem falar no modo como corriam: rápido e de lado."

Dó menor
(WS Editor, 2006)

Uma lanchonete de beira de estrada, um cadáver, a polícia. A principal testemunha: o Concerto para piano e orquestra, n°2, em dó menor opus 18, de Sergei Rachmaninoff. Em cada um dos três movimentos (contos?, capítulos?) uma face do décimo livro de Luís Dill.

Trecho

Não se parece mais com ele. Está diferente, olheiras, rugas, até um tom cinzento na pele. Os olhos também não são mais os mesmos: baços, remotos.

Triste?

A princípio não responde nem dá a entender que ouviu.

Triste?, insisto dessa vez sem me fixar em nada particular. Prefiro olhar para fora. Pouco movimento na estrada. Um sol indeciso me faz adivinhar o frio.

Solitário, acho eu.

Tesouro de pano
(WS Editor, 2006)

Uma menina visita a bisavó doente e descobre, no sótão da casa, dentro de um baú, uma bandeira de pano. Curiosa, ouve da velha senhora a saga de imigrantes que vieram de Bassano Del Gappa, na Itália, para o Rio Grande do Sul.

Trecho

Montes de coisas para jogar fora, Gabriela pensou diante do sótão cheio do que sua mãe chamava de “impressionante coleção de cacarecos”. Cadeiras, armários, louças, colchões, pilhas de revistas, jornais, livros, fotografias, até mesmo uma penteadeira muito antiga com o espelho partido, além do mofo agarrado no ar. Tudo coberto por camadas e mais camadas do pó acumulado durante anos de esquecimento e de abandono. É, deve ser assim mesmo, Gabriela imaginou. A gente só enterra a pessoa. As tralhas dela ficam e, se ninguém cuida, pegam sujeira ou viram lixo, concluiu.

Letras perdidas
(Escala Editorial, 2006)

Quando dona Ekaterina da Silva aparece morta na escada do prédio, Vitor Ventura resolve investigar. Há algo errado naquela morte aparentemente acidental. Após juntar algumas peças, o menino se dá conta de que ela pode ter sido assassinada por causa de um documento histórico muito antigo. O tal documento apresenta a verdadeira história sobre a descoberta do Brasil.

Trecho

" Enfiou a chave com a delicadeza de um arrombador de cofres. Girou-a e a porta abriu com um rangido baixo e constante. "Meu grilo de estimação", ela costumava dizer. Um bafo quente recebeu-o. O apartamento estava fechado desde a noite de sexta-feira, data da morte da sra. Ekaterina da Silva. Além do ar pesado e aquecido, havia o clássico cheiro de coisas antigas e guardadas. Fechou a porta. Melhor não ligar a luz nem abrir as janelas, imaginou."

Letras finais
(Artes e Ofícios, 2005)

O oitavo livro de Luís Dill sai dentro da coleção Grilos da Artes e Ofícios. A novela, contada com uma linha cronológica estilhaçada, mostra o jovem Oswaldo confrontando-se com seu passado e com seu futuro enquanto padece no cativeiro. O livro ainda prpõe um jogo que caberá ao leitor descobrir.

 

Integrante do PNBE (Programa Nacional Biblioeteca na Escola) do governo federal.

Programa Minha Biblioteca 2008 - Prefeitura de São Paulo.

Finalista do Prêmio Jabuti.

 

 

Trecho

É loucura. Sei disso. Ainda assim executo meu plano elaborado às pressas, na urgência do desespero. Enfio a mão na maçaneta, impulsiono-a para baixo e puxo. Para minha surpresa a porta se abre. Devo estar com sorte fabulosa. A abertura por onde passo dá para o pátio da casa na qual sou mantido refém. Não escuto nenhum tiro, só o som abafado da voz, de um grito.

O Punhal de Jade
(Edições SM, 2004)

Tudo que Edu queria era passar uns dias na praia com a namorada. Só que, a partir do aparecimento inesperado da sensual Dóris, tudo se modifica de forma dramática. A aventura inclui uma valiosa peça da antiguidade, um misterioso assassino, um investigador particular e até mesmo um tigre! Este é o primeiro livro de Luís Dill publicado por uma editora de fora do Rio Grande do Sul. Veio com o selo da Edições SM.

Trecho

O pesadelo estava ali, na sua frente, revelado por 100 watts vacilantes, precariamente sustentados nos intervalos das quedas de energia. O pesadelo estava ali, tiritando de frio, os ombros encolhidos, molhada dos pés à cabeça - sim, chovia horrores, trovões e tudo. O pesadelo estava ali e tinha cara de anjo

Sombras no asfalto
(WS Editor, 2004, 2ªed. - finalista do Prêmio Açorianos). Livro selecionado para o projeto Cantinho da Leitura do Governo de Goiás, em 2005.

Ao acordar no quarto de um hotel de beira de estrada, sem saber como chegou lá, guria passa a ser perseguida. Até se deparar com as surpreendentes respostas, ela terá de passar por uma porção de encrencas. Ação e mistério se sucedem na nova novela infanto-juvenil do autor de Lâmina cega.

Arca de Haicais
(WS Editor, 2005, 2ªed)

A estréia de Luis Dill na literatura infantil:

"O gato jura
que até na lua
se dependura"

"O vaga-lume ilumina
porque não
tem buzina."

"O pavão não poupa
veste arco-íris
como roupa."

Lâmina cega
(WS Editor, 2004, 2ªed. - finalista do Prêmio Açorianos)

Novela sobre a trajetória sangrenta do jovem Carlos Alberto. Em uma única manhã, sem que queira ou tenha planejado, ele se transforma em um serial killer no interior de prédio comercial no Centro de Porto Alegre.

Trecho

"Mata–se com tanta facilidade que dá para assustar. E quem na cidade não acorda e pensa em assassinar? O patrão, o colega, a esposa, o irmão, o cobrador, o funcionário público, o porteiro, o furador de fila, o gartçom, o cara que passa o sinal vermelho, o esperto, o vizinho, o homem do rádio. Pode ser feito. Basta escolher. Banal como atirar uma pedra no rio, apontar um lápis, comer um x–salada."

A noite das esmeraldas
(WS Editor, 2003, 3ª ed)

Garoto passa a ser perseguido depois de encontrar pedras valiosas dentro do cinema. A ação é ininterrupta e se desenrola dentro de uma única noite chuvosa em Porto Alegre. Para escapar, ele contará com ajuda inesperada.

Trecho

"Um trovão arrebenta lá fora e escuto a chuva. Que noite, meu Deus! Estou ensopado, trêmulo, cansado e meus ouvidos ainda guardam o eco dos gritos, das chamas, dos tiros."

Olhos de Rubi
(WS Editor, 2003, 2ª ed. - finalista do Prêmio Açorianos)

Jovem treina para a Olimpíada do colégio e encontra cadáver na beira da praia de Consolo. A partir daí, sua vida dá guinada drástica: passa a ser perseguido por líder de seita religiosa capaz de dominar a cidade inteira.

Trecho:

"O coração de Filipe parou de bater. Apesar de ver três enormes tatuíras saírem de dentro da boca murcha e de lábios roxos, continuou segurando o pulso do homem. Teve tempo de ver também os olhos brancos, abertos pela força da água. Um deles estava meio esfarrapado. O coração voltou a bater, agora a uma velocidade incrível. Um frio subia de seu estômago. Queria gritar e sair dali, mas parecia que o cadáver o segurava. Como se a mão com aquele anel prateado o prendesse; como se os dedos finos e enrugados o prendessem com um toque gelado.

Caiu para trás e começou a afastar–se nadando de costas, apavorado."

A caverna dos diamantes
(WS Editor, 2003, 2ªed)

Primeiro livro publicado do autor. Um crime e um roubo sem conexão explodem no colo do personagem central. Ele correrá atrás de diamantes, do culpado por um assassinato e, de quebra, vai se deparar com o primeiro amor de sua vida.

Trecho:

"Ele deu mais um passo. Continuava sorrindo, tranqüilo. Observei seus olhos e, pela primeira vez na vida, percebi como é possível saber quando alguém está fingindo. Seus olhos, sim, seus olhos me mostraram que também tinha medo.

– Parado, se não atiro!

– Duvido

Avançou mais um passo em minha direção.

Puxei o gatilho."

Participação em Antologias

O livro dos homens
(Artes e Ofícios, 2000)

Coletânea de contos organizada por Charles Kiefer. O conto O carteiro nunca chama duas vezes mostra um assassino profissional em ação.

Trecho

"Quando a entrega é para um cara como o de hoje não tem muita graça. Talvez no futuro eu comece a recusar esses casos. Por enquanto, o Carteiro tem uma reputação a zelar e um aluguel a pagar. As entregas são sempre feitas. Democraticamente, sem nenhum tipo de preconceito. Para operários da construção civil, para parlamentares, passando por médicos e donas de casa. O Carteiro tem de manter o nome, polir o cartaz, mesmo com serviços menores. De um modo ou de outro é tudo escore."

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