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Cartas do fim do mundo
(Terracota, 2009)

Nesta coletânea de contos, vários autores dão suas versões para o fim do mundo.

Trecho:
Londres, 31 de julho de 2013.
Se alguém estiver lendo isto, estou morto.
Mas já chego lá.
Primeiro vamos aos porquês.
Ao início.

O dia em que Luca não voltou
(Cia das Letras, 2009)

Luca desaparece sem deixar vestígios. Para pais e amigos, as primeiras horas após o sumiço do menino são desesperadoras. Logo, todos vão se dar conta que suas vidas foram profundamente modificadas a partir do dia em que Luca não voltou.

Trecho:
O delegado de terno, gravata e bigode grosso continuou fazendo perguntas, milhões de perguntas, de vez em quando puxava seu bloco de notas, anotava algo que lhe diziam, voltava a guardar o bloco no bolso do paletó e seguia conversando, depois andava pelas ruas do condomínio, conversava com empregados, com os vizinhos, com os filhos dos vizinhos, com os amigos dos filhos dos vizinhos, olhava atrás dos arbustos, no bosque, percorreu o enorme muro que cercava o condomínio, em busca de um buraco ou de qualquer vestígio, caminhava pelo campo de golfe, entrava nas lojas do minishopping, no clube, não houve ninguém com quem ele não tenha conversado, chegou até a paralisar a construção da casa atrás do laguinho, pediu para falar com o arquiteto, com o engenheiro, com o empreiteiro, com o proprietário, e com todos os pedreiros, checava as câmeras de vídeo da portaria, voltava a falar com as pessoas com quem já tinha conversado, verificava suas anotações no bloquinho, às vezes vinha com um ou dois ajudantes, fazia dezenas de ligações no seu celular, recebia outras dezenas, sempre com uma cara muito séria, de quem não estava chegando a lugar nenhum, e minha mãe na cozinha, até mais magra, resmungando, ai, meu santo Antônio, será possível?

Beijo mortal
(Dulcinéia, 2009)

Três jovens armados em busca de vingança.
Um jovem à procura da verdade.
Várias vítimas

Trecho:
Enfia a primeira bala no tambor do 38 e sorri. A penugem escura na promessa de bigode se move com graça quase infantil. Os traços suaves do rosto desmentem o olhar contaminado por raiva bandida. Guilherme, 14 anos, corpo esguio, usa a camiseta reserva da seleção brasileira de futebol. Gosta de azul-escuro. Bermuda e tênis de skatista. Sopesa a segunda bala: encanta-se com o dourado da cápsula e a ponta escura do projétil. Ruídos de diálogos e risadas chegam da sala. Os pais, ancorados à frente da tevê, bebericam cerveja, divertem-se diante de algum programa humorístico. No quarto, o menino beija a bala. Imagina-a deixando o cano do revólver a grande velocidade, corrida sem obstáculos até encontrar e perfurar roupas, pele, músculos, órgãos, ossos. Amanhã tem velório na comunidade, especula com satisfação.

De carona, com nitro
(Artes e Ofícios, 2009)

O livro apresenta diversos personagens que se encontram em momento trágico: um acidente de trânsito. Os que não participam diretamente do fato serão profundamente afetados. O texto não pretende encontrar soluções ou dar respostas. Não julga. Não condena. Não dá lição de moral. Apenas oferece a possibilidade de reflexão.

Trecho:
Tragédia foi a palavra mais utilizada pelos meios de comunicação. Traduzia bem o ocorrido no cruzamento das duas avenidas na manhã do primeiro domingo de outubro. Um dos jornais da capital, na edição da segunda-feira, apostou na ousadia: usou todo o limite da capa para estampar a foto do acidente sob a manchete de tão-somente oito letras. Nada mais havia para ser explicado. As cores da imagem mostravam óleo e sangue misturados sobre o asfalto. Em segundo plano, sem foco, destroços dos carros envolvidos e pés por baixo de plásticos brancos.
 

Pedras

Ouvindo pedras
(Escala Educacional, 2008)

O livro faz parte da coleção Diários Descobertos. Neste volume o autor utilizou informações verídicas para construir diário ficcional do artista Aleijadinho.

Trecho:

Em certos momentos, escondido dos olhares de meu pai e até de minha mãe, uso pontas chamuscadas de gravetos para gravar o que imagino em aparas de madeira. São peças que tomo o cuidado de ocultar. Esta linhas rabiscadas à pena em folhas roubadas das oficinas também recebem um pouco das coisas que vão pela minha cabeça, uma espécie de amigo sem corpo e sem fala, mas muito atento e prestativo.

Todos contra Dante
(Cia. das Letras, 2008)

Dante é novo na escola. Vem de um bairro mais pobre e gosta de ler A divina comédia, de Dante Alighieri. Logo sua aparência e sua classe social viram combustível para o riso dos colegas. A perseguição se torna sistemática e ganha força no ciberespaço, onde o jovem é ridicularizado e hostilizado. Com linguagem ágil e arquitetura ficcional inovadora, Luís Dill constrói cuidadosa reflexão sobre nossa sociedade atual. E nesse cenário a violência espreita.

Crítica do escritor Ernani Ssó no site Coletiva.net:

Todos contra Dante

Assim se chama uma pequena novela do Luís Dill, lançada há pouco pela Cia. das Letras. Foi inspirada num fato real: uma implicância besta que acaba em tragédia, numa escola. Achei o fino, mas gostei especialmente dos diálogos: naturais, verossímeis. Isso, num país ruim de ouvido como o Brasil, onde os personagens não falam, discursam, não é pouco, não. Dill, como um punhado de outros aventureiros — Luiz Vilela, Marçal Aquino, Sérgio Rodrigues, Sérgio Fantini e Marcelo Carneiro da Cunha, por exemplo —, está em campo pra não deixar o Nelson Rodrigues e o Dalton Trevisan na mão. Todos contra Dante, ao contrário de muitos livros infanto-juvenis, não tem contra-indicação para adultos.

Trecho:

Graziela na frente de Davi. Encara-o de modo muito intenso, quase policial. Estão no corredor do colégio.
– O James nega, nega, nega. Eu queria ouvir o que tu tem pra me dizer sobre esse negócio.
– Cada um fala o que quer, Grazi.
– É verdade. E o que tão falando não é nada bom.
– E?
– Davi, Davi...
– Não sei por que tu quer falar tanto desse lance. Tu tá parecendo a coordenadora.
– Davi é sério. O guri tá no hospital.
– Não sei de nada, Grazi. Que saco!
– Ninguém sabe. Tu não sabe, o James não sabe, o Cauã não sabe.
– E por que a gente deveria saber?
– Dizem que até a Manoela ajudou a bater no tal do Dante.

Atalhos [cenas brasileiras]
(WS Editor, 2008)

Este não é um livro realista! A realidade é mais brutal do que a ficção. As 20 histórias curtas, extraídas da imprensa, recebem o tratamento humanista que só os bons escritores conseguem dar, provocando a reflexão sem perder o prazer de ler e a esperança na humanidade.

Trecho:

É o seguinte, pessoal, gritei. Assalto! Todo mundo quietinho! Aí curti o medo na cara das pessoas. Olhavam pra mim e pro revólver. Mais pro revólver, eu acho. Tirei a touca e passei pra gorda da primeira fila, uma negona que ocupava dois assentos. Aí, bota tudo o que tu tem dentro da minha touca, depois vai passando, um por um, faz de conta que tu tá na igreja.

Sonho real
(Editora Salesiana, 2008)

Um menino de rua sonha em mudar de vida. Depois de misterioso encontro, ele se vê completamente transformado. O menino pensa que sua vida mudou para melhor, mas está enganado. Muitas aventuras e decepções o aguardam, assim como nova e surpreendente amizade.

Trecho:

Estava sozinho. Não conhecia o pai. Não sabia da mãe. Das irmãs e dos irmãos, nenhuma notícia. Morava no centro de Porto Alegre. Na rua. Vivia de esmolas, de caridade, vivia de qualquer jeito. Até onde se lembrava tinha 10 anos de idade.

Tocata e fuga
(Bertrand Brasil, 2007)

Vencedor do Prêmio Açorianos

Trecho

A viatura desliza mansa, fura a onda invisível de calor que insiste sobre o asfalto.

- Matou?

Jornal do Turfe nas mãos, não responde ao motorista, mas a pergunta o lembra de algo. Saca o revólver, libera o tambor, retira três cápsulas deflagradas e as joga pela janela.

- E aí?

- Matei, matei.

- Claro.

Remunicia o 38.

Olhos vendados
(DCL, 2007)

 

Finalista do Prêmio Açorianos

 

Trecho

Ela está viva.

Dou-lhe minha palavra de honra.

E tenho certeza de que a guria está viva porque estou olhando para ela enquanto escrevo estas linhas, prezado radialista. Embora esteja amordaçada, de olhos vendados e amarrada à cama, garanto, por tudo o que há de mais sagrado neste ou em qualquer outro mundo, que goza de boa saúde.

Claro, não sou médico nem psiquiatra. Mas tenho alguma experiência com pessoas e com relacionamentos, daí porque comunicar que ela est&aaacute; em ordem não é uma afirmação leviana, demagógica ou sem fundamento. Muito menos falsa.

É necessário alertá-lo para dois fatos:

1) isto NÃO é uma brincadeira e

2) também NÃO se trata de seqüestro.

O clube da cova
(Editora Salesiana, 2007)

Trecho:

Quatro tiros explodiram na atmosfera silenciosa e refrigerada da agência bancária. Potentes e assustadores como trovões anunciando o fim do mundo.

- Ninguém se mexe! É um assalto! - berrou o homem alto todo de preto, exceto pela meia de náilon cor champanhe que lhe desfigurava o rosto. Também escapava ao preto o brilho do aço da pistola calibre 45.

Dinamite ao meio-dia
(Escala Educacional, 2007)

Trecho:

Puxou o cinto de segurança. Segurou o volante com a mão esquerda. Lamentou mais uma vez estar sem gravata.

Girou a chave para a direita.

No mesmo instante, no hall de entrada do condomínio, a poucos metros do carro, seu Lauro teve o bocejo interrompido.

No interior do veículo não houve ruído ou dor. Apenas o inferno branco.

No interior do prédio, barulho medonho de enlouquecer, vidros estilhaçados e muita dor.

O Monza do delegado César explodiu.

Uma nuvem brilhante expandiu-se dentro do automóvel e saiu com fúria rompendo o pára-brisa e a capota. Elevou-se rápida já escura, camuflando-se na noite.

Castelo de Areia
(Artes e Ofícios, 2006)

Um menino enfrenta seus temores na beira da praia. Será que os caranguejos eram tão terríveis assim? Enquanto a dúvida o domina, ele usa areia e água para finalizar sua construição.

Trecho

"Eu tinha medo da praia.
Na verdade era medo da areia.
Bom, para ser bem sincero mesmo eu tinha medo era do que estava embaixo da areia.
- Os caranguejos são inofensivos - meu pai dizia.
Eu não sabia direito o que "inofensivo" queria dizer.
- Os caranguejos não vão te pegar, filho - explicava minha mãe.
Eu desconfiava um pouco do que eles me diziam. Aqueles bichos de patas amarelas, garras horríveis e dois olhos pretos assustadores me enchiam de pavor. Sem falar no modo como corriam: rápido e de lado."

Dó menor
(WS Editor, 2006)

Uma lanchonete de beira de estrada, um cadáver, a polícia. A principal testemunha: o Concerto para piano e orquestra, n°2, em dó menor opus 18, de Sergei Rachmaninoff. Em cada um dos três movimentos (contos?, capítulos?) uma face do décimo livro de Luís Dill.

Trecho

Não se parece mais com ele. Está diferente, olheiras, rugas, até um tom cinzento na pele. Os olhos também não são mais os mesmos: baços, remotos.

Triste?

A princípio não responde nem dá a entender que ouviu.

Triste?, insisto dessa vez sem me fixar em nada particular. Prefiro olhar para fora. Pouco movimento na estrada. Um sol indeciso me faz adivinhar o frio.

Solitário, acho eu.

Tesouro de pano
(WS Editor, 2006)

Uma menina visita a bisavó doente e descobre, no sótão da casa, dentro de um baú, uma bandeira de pano. Curiosa, ouve da velha senhora a saga de imigrantes que vieram de Bassano Del Gappa, na Itália, para o Rio Grande do Sul.

Trecho

Montes de coisas para jogar fora, Gabriela pensou diante do sótão cheio do que sua mãe chamava de “impressionante coleção de cacarecos”. Cadeiras, armários, louças, colchões, pilhas de revistas, jornais, livros, fotografias, até mesmo uma penteadeira muito antiga com o espelho partido, além do mofo agarrado no ar. Tudo coberto por camadas e mais camadas do pó acumulado durante anos de esquecimento e de abandono. É, deve ser assim mesmo, Gabriela imaginou. A gente só enterra a pessoa. As tralhas dela ficam e, se ninguém cuida, pegam sujeira ou viram lixo, concluiu.

Letras perdidas
(Escala Editorial, 2006)

Quando dona Ekaterina da Silva aparece morta na escada do prédio, Vitor Ventura resolve investigar. Há algo errado naquela morte aparentemente acidental. Após juntar algumas peças, o menino se dá conta de que ela pode ter sido assassinada por causa de um documento histórico muito antigo. O tal documento apresenta a verdadeira história sobre a descoberta do Brasil.

Trecho

" Enfiou a chave com a delicadeza de um arrombador de cofres. Girou-a e a porta abriu com um rangido baixo e constante. "Meu grilo de estimação", ela costumava dizer. Um bafo quente recebeu-o. O apartamento estava fechado desde a noite de sexta-feira, data da morte da sra. Ekaterina da Silva. Além do ar pesado e aquecido, havia o clássico cheiro de coisas antigas e guardadas. Fechou a porta. Melhor não ligar a luz nem abrir as janelas, imaginou."

Letras finais
(Artes e Ofícios, 2005)

O oitavo livro de Luís Dill sai dentro da coleç&atildatilde;o Grilos da Artes e Ofícios. A novela, contada com uma linha cronológica estilhaçada, mostra o jovem Oswaldo confrontando-se com seu passado e com seu futuro enquanto padece no cativeiro. O livro ainda prpõe um jogo que caberá ao leitor descobrir.

 

Integrante do PNBE (Programa Nacional Biblioeteca na Escola) do governo federal.

Programa Minha Biblioteca 2008 - Prefeitura de São Paulo.

Finalista do Prêmio Jabuti.

 

 

Trecho

É loucura. Sei disso. Ainda assim executo meu plano elaborado às pressas, na urgência do desespero. Enfio a mão na maçaneta, impulsiono-a para baixo e puxo. Para minha surpresa a porta se abre. Devo estar com sorte fabulosa. A abertura por onde passo dá para o pátio da casa na qual sou mantido refém. Não escuto nenhum tiro, só o som abafado da voz, de um grito.

O Punhal de Jade
(Edições SM, 2004)

Tudo que Edu queria era passar uns dias na praia com a namorada. Só que, a partir do aparecimento inesperado da sensual Dóris, tudo se modifica de forma dramática. A aventura inclui uma valiosa peça da antiguidade, um misterioso assassino, um investigador particular e até mesmo um tigre! Este é o primeiro livro de Luís Dill publicado por uma editora de fora do Rio Grande do Sul. Veio com o selo da Edições SM.

Trecho

O pesadelo estava ali, na sua frente, revelado por 100 watts vacilantes, precariamente sustentados nos intervalos das quedas de energia. O pesadelo estava ali, tiritando de frio, os ombros encolhidos, molhada dos pés à cabeça - sim, chovia horrores, trovões e tudo. O pesadelo estava ali e tinha cara de anjo

Sombras no asfalto
(WS Editor, 2004, 2ªed. - finalista do Prêmio Açorianos). Livro selecionado para o projeto Cantinho da Leitura do Governo de Goiás, em 2005.

Ao acordar no quarto de um hotel de beira de estrada, sem saber como chegou lá, guria passa a ser perseguida. Até se deparar com as surpreendentes respostas, ela terá de passar por uma porção de encrencas. Ação e mistério se sucedem na nova novela infanto-juvenil do autor de Lâmina cega.

Arca de Haicais
(WS Editor, 2005, 2ªed)

A estréia de Luis Dill na literatura infantil:

"O gato jura
que até na lua
se dependura"

"O vaga-lume ilumina
porque não
tem buzina."

"O pavão não poupa
veste arco-íris
como roupa."

Lâmina cega
(WS Editor, 2004, 2ªed. - finalista do Prêmio Açorianos)

Novela sobre a trajetória sangrenta do jovem Carlos Alberto. Em uma única manhã, sem que queira ou tenha planejado, ele se transforma em um serial killer no interior de prédio comercial no Centro de Porto Alegre.

Trecho

"Mata–se com tanta facilidade que dá para assustar. E quem na cidade não acorda e pensa em assassinar? O patrão, o colega, a esposa, o irmão, o cobrador, o funcionário público, o porteiro, o furador de fila, o gartçom, o cara que passa o sinal vermelho, o esperto, o vizinho, o homem do rádio. Pode ser feito. Basta escolher. Banal como atirar uma pedra no rio, apontar um lápis, comer um x–salada."

A noite das esmeraldas
(WS Editor, 2003, 3ª ed)

Garoto passa a ser perseguido depois de encontrar pedras valiosas dentro do cinema. A ação é ininterrupta e se desenrola dentro de uma única noite chuvosa em Porto Alegre. Para escapar, ele contará com ajuda inesperada.

Trecho

"Um trovão arrebenta lá fora e escuto a chuva. Que noite, meu Deus! Estou ensopado, trêmulo, cansado e meus ouvidos ainda guardam o eco dos gritos, das chamas, dos tiros."

Olhos de Rubi
(WS Editor, 2003, 2ªordf; ed. - finalista do Prêmio Açorianos)

Jovem treina para a Olimpíada do colégio e encontra cadáver na beira da praia de Consolo. A partir daí, sua vida dá guinada drástica: passa a ser perseguido por líder de seita religiosa capaz de dominar a cidade inteira.

Trecho:

"O coração de Filipe parou de bater. Apesar de ver três enormes tatuíras saírem de dentro da boca murcha e de lábios roxos, continuou segurando o pulso do homem. Teve tempo de ver também os olhos brancos, abertos pela força da água. Um deles estava meio esfarrapado. O coração voltou a bater, agora a uma velocidade incrível. Um frio subia de seu estômago. Queria gritar e sair dali, mas parecia que o cadáver o segurava. Como se a mão com aquele anel prateado o prendesse; como se os dedos finos e


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